Acórdão TJBA — 8009496-77.2025.8.05.0113 | SumLex

Tribunal
TJBA
Processo
8009496-77.2025.8.05.0113
Classe
Apelação
Relator
JOSE JORGE LOPES BARRETO DA SILVA
Órgão julgador
SEGUNDA CAMARA CÍVEL
Julgamento
Publicação
2026-08-19

Ementa

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA   Segunda Câmara Cível  Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8009496-77.2025.8.05.0113 Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível APELANTE: RODRIGO COSTA LOPES Advogado(s): FAGNER SALES DUARTE PEREIRA APELADO: WILL FINANCEIRA S.A. CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Advogado(s):DENNER DE BARROS E MASCARENHAS BARBOSA   ACORDÃO Ementa: DIREITO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. CONTRATAÇÃO COMPROVADA. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS RECURSAIS. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Apelação cível interposta contra sentença que julgou improcedentes os pedidos de declaração de inexistência de débito e de indenização por danos morais decorrentes de alegada inscrição indevida em cadastro de inadimplentes, condenando o autor ao pagamento das custas processuais, honorários advocatícios, com exigibilidade suspensa em razão da gratuidade da justiça, e multa por litigância de má-fé. O apelante sustenta inexistência da contratação e da dívida que ensejou a negativação. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há três questões em discussão: (i) definir se houve violação ao princípio da dialeticidade recursal e se subsistem os requisitos para manutenção da gratuidade da justiça; (ii) estabelecer se a instituição financeira comprovou a existência da relação contratual e a regularidade do débito, legitimando a inscrição do nome do autor em cadastro de inadimplentes; e (iii) determinar se estão presentes os requisitos para manutenção da condenação por litigância de má-fé. III. RAZÕES DE DECIDIR A preliminar de ofensa ao princípio da dialeticidade recursal é rejeitada porque a apelação atende aos requisitos previstos no art. 1.010, II e III, do CPC. A impugnação à gratuidade da justiça é rejeitada porque os documentos juntados comprovam a condição de hipossuficiência econômica do apelante. A instituição financeira cumpre o ônus probatório ao demonstrar a contratação mediante apresentação de biometria facial, documento de identificação, contrato eletrônico e faturas que evidenciam a utilização regular do cartão de crédito. O conjunto probatório comprova a origem, existência e regularidade do débito, afastando a alegação de fraude e legitimando a inscrição do nome do consumidor nos órgãos de proteção ao crédito em exercício regular de direito. O autor não produz prova capaz de infirmar os documentos apresentados pela instituição financeira nem comprova o adimplemento da obrigação, limitando-se a impugnações genéricas aos documentos acostados aos autos. A utilização do cartão de crédito pelo próprio autor, inclusive em transações identificadas em seu nome, demonstra a existência da relação contratual e afasta a alegação de contratação por terceiros. Inexistente ato ilícito ou nexo causal entre a conduta da instituição financeira e os danos alegados, não se configura responsabilidade civil nem direito à indenização por danos morais. Configura litigância de má-fé a conduta da parte que nega a contratação e altera a verdade dos fatos, apesar de comprovada documentalmente a utilização dos serviços contratados, incidindo as hipóteses previstas no art. 80, II e III, do CPC. A manutenção da sentença impõe a majoração dos honorários advocatícios recursais, observada a suspensão de sua exigibilidade em razão da gratuidade da justiça. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido.   Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº 8009496-77.2025.8.05.0113, em que figuram, como apelante, RODRIGO COSTA LOPES, e, como apelado, WILL FINANCEIRA S.A. CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO,   ACORDAM os Desembargadores integrantes da Segunda Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em rejeitar as preliminares, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO à Apelação, e assim o fazem pelas razões que integram o voto do eminente Desembargador Relator.   Sala das Sessões, data registrada no Sistema.   Des. JORGE BARRETTO Relator (Assinado eletronicamente)  

Inteiro teor

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

 
 
Segunda Câmara Cível
 

Processo
: 
APELAÇÃO CÍVEL n. 
8009496-77.2025.8.05.0113

Órgão Julgador
: 
Segunda Câmara Cível

APELANTE: RODRIGO COSTA LOPES

Advogado(s)
: 
FAGNER SALES DUARTE PEREIRA

APELADO: WILL FINANCEIRA S.A. CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

Advogado(s)
:
DENNER DE BARROS E MASCARENHAS BARBOSA

 

ACORDÃO

Ementa: DIREITO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. CONTRATAÇÃO COMPROVADA. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS RECURSAIS. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

Apelação cível interposta contra sentença que julgou improcedentes os pedidos de declaração de inexistência de débito e de indenização por danos morais decorrentes de alegada inscrição indevida em cadastro de inadimplentes, condenando o autor ao pagamento das custas processuais, honorários advocatícios, com exigibilidade suspensa em razão da gratuidade da justiça, e multa por litigância de má-fé. O apelante sustenta inexistência da contratação e da dívida que ensejou a negativação.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

Há três questões em discussão: (i) definir se houve violação ao princípio da dialeticidade recursal e se subsistem os requisitos para manutenção da gratuidade da justiça; (ii) estabelecer se a instituição financeira comprovou a existência da relação contratual e a regularidade do débito, legitimando a inscrição do nome do autor em cadastro de inadimplentes; e (iii) determinar se estão presentes os requisitos para manutenção da condenação por litigância de má-fé.

III. RAZÕES DE DECIDIR

A preliminar de ofensa ao princípio da dialeticidade recursal é rejeitada porque a apelação atende aos requisitos previstos no art. 1.010, II e III, do CPC.

A impugnação à gratuidade da justiça é rejeitada porque os documentos juntados comprovam a condição de hipossuficiência econômica do apelante.

A instituição financeira cumpre o ônus probatório ao demonstrar a contratação mediante apresentação de biometria facial, documento de identificação, contrato eletrônico e faturas que evidenciam a utilização regular do cartão de crédito.

O conjunto probatório comprova a origem, existência e regularidade do débito, afastando a alegação de fraude e legitimando a inscrição do nome do consumidor nos órgãos de proteção ao crédito em exercício regular de direito.

O autor não produz prova capaz de infirmar os documentos apresentados pela instituição financeira nem comprova o adimplemento da obrigação, limitando-se a impugnações genéricas aos documentos acostados aos autos.

A utilização do cartão de crédito pelo próprio autor, inclusive em transações identificadas em seu nome, demonstra a existência da relação contratual e afasta a alegação de contratação por terceiros.

Inexistente ato ilícito ou nexo causal entre a conduta da instituição financeira e os danos alegados, não se configura responsabilidade civil nem direito à indenização por danos morais.

Configura litigância de má-fé a conduta da parte que nega a contratação e altera a verdade dos fatos, apesar de comprovada documentalmente a utilização dos serviços contratados, incidindo as hipóteses previstas no art. 80, II e III, do CPC.

A manutenção da sentença impõe a majoração dos honorários advocatícios recursais, observada a suspensão de sua exigibilidade em razão da gratuidade da justiça.

IV. DISPOSITIVO E TESE

Recurso desprovido.

 

Vistos, relatados e discutidos estes autos de 
Apelação Cível nº 
8009496-77.2025.8.05.0113
,
 em que figuram, como apelante,
 
RODRIGO COSTA LOPES
, e, como apelado, 
WILL FINANCEIRA S.A. CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO
,

 

ACORDAM
 os Desembargadores integrantes da Segunda Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em 
rejeitar as preliminares
, e no mérito, 
NEGAR PROVIMENTO
 à Apelação, e assim o fazem pelas razões